Foi quando percebeu que isso era só mais um delírio, decorrente da grande quantidade de fome, misturada com o cheiro de cola que costumava sentir.
Levantou-se e pôs-se a caminhar sem rumo, novamente. Foi, pouco depois, quando viu um cachorro que caçou até a morte e assou numa lata de lixo, que conseguiu saciar sua fome.
E continuou a conversar com seu amigo Pietro, o peixe-voador, que o acompanhava em suas viagens.
"Um cão que morreu com honra!"
"Se ser comido por um mendingo que não tem onde cair morto é uma honra, então, de fato."
"Não faça pouco de mim. Sabe que não tenho pois não quero. Abri mão de tudo..."
"... ao matar seu pai para pegar a herança?"
"Não!! Ele não me entendia, não há nenhuma ligação entre as coisas."
"Pois bem, continue então."
"...ao renunciar ao reino material! Quem precisa de roupas, comida e casas compradas? A natureza nos dá tudo! De graça!"
"É, vê-se tanto ao olhar para você... acho que vou jogar meu terno fora também."
"Faça-o!"
"Estava usando de ironia."
"Hunf!"
"Veja, ironia é um ser que bate em sua porta e ri da sua cara. Por isso que nesse momento, renunciado de tudo, tudo que você tem é um cobertos, uma coxa mal-assada de um vira-lata e um peixe falante como amigo."
"Não mais do que preciso."
"Se você diz."
E continuaram caminhando, até os limites da cidade. Onde começavam a entrar em uma estrada infindável.
"Cá vamos nós, novamente."
Continua, até eu cansar...
por Monkey ~ 15:42